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| Poeta Jessier Quirino |
O
poeta Jessier Quirino não dá pra quem quer. Lotou
quatro espetáculos no Teatro Santa Isabel, e mais se tivesse. Repertório
renovado, e alguns clássicos que a calorosa plateia não perdoa a ausência.
Reconhecido pelos fãs nas ruas do Recife já está “parando o trânsito” como se
diz por aqui.
Agenda
cheia, viagens por todo o Brasil, curte na atualidade um sucesso sem
precedentes na história da poesia bem humorada. Abusando um pouco da sua falta
de tempo e usando o meu prestígio de amigo de longas datas, eu consegui esta
entrevista que tenta resumir sua trajetória na arte de recitar e contar
histórias e causos.
* * *
PC
– Fale sobre o começo de tudo.
Em
matéria de declamar, sou eu e a torre de Pisa: sempre tive inclinação. Antes do
poeta nasceu o declamador. Era poeta de fraldas e o declamador já de calça
Topeka. Desde rapazote fazia isso muito à vontade, sempre imprimindo minha
marca pessoal: Ou seja, declamava com uma manteiguinha a mais. Era a arma que
eu usava para me impor diante dos colegas, aliviando toneladas de timidez.
Declamava as coisas dos Mestres: Zé da Luz, Renato Caldas, Zé Laurentino, entre
outros. Depois é que surgiu minha poesia. Os primeiros poemas nem os tenho
mais. Só comecei a guardar a partir de 1983, já acabrestado de anel e com dois
filhos no colo.
PC
– O primeiro livro veio quando e como você esperava?
Para
os meus versos caseiros nunca pensei em encadernação livresca. Somente em 1995
quando dei fé do gordo e o osso deste meu atual entrevistador Paulo Carvalho, é
que veio a pergunta: “- Porque você não publica esses poemas?” O mesmo Carvalho
foi meu guia de cego para as Edições Bagaço do Recife – e aí, foi um pulo de
grilo para o primeiro livro “Paisagem de Interior”. Tive uma crítica positiva do
jornalista Mário Hélio do Jornal
do Commércio
– profissional criterioso – e talvez tenha sido este o “lá vem ele!” para que o
público leitor atentasse para a chegada de um matuto palavreiro das bandas da
Paraíba. Não esperava, que minhas costuras literárias, de agulha ferrugenta,
fossem ter a repercussão que tiveram.
PC
– Como foi sua incursão na literatura infantil?
Sendo
invencioneiro e imaginativo, usava munição de boca pra contar histórias e fazer
canções pra meus filhos quando pequenos. Eram inventadas ali, na hora. Um dia o
pessoal da Editora Bagaço – que tem como âncora o livro didático e
para-didático – me perguntou se eu tinha algum escrito para criança. Dei de
garra de uma historia que contava pra minha filha Marcela, então com três anos
e assim nasceu o livro “Chapéu
Mau e Lobinho Vermelho”.
Depois veio “Miudinha”, quando Marcela já estava com oito
anos. Hoje ela está com catorze, e tenho umas idéias na cabeça. Pode surgir
mais um, nessa linha da gurizada.
(*)
Obra completa no final da postagem
PC
– O uso proposital – intencional – da linguagem matuta já lhe criou algum
problema?
Eu
não diria que houve problemas. Às vezes, de porque em punho, me pedem
explicação. Esclareço que eu sempre busco o lado hilariante da palavra. Na
minha poesia, normalmente procuro juntar beleza e alegria, sem abrir mão de
ficar venta a venta com o universo do matuto, que têm até muita graça no falar.
É uma criaturada que sempre sofre, mas sempre ri… e faz rir. Assim como eu
fizeram, Jackson do Pandeiro, Manezinho Araújo, Gonzagão, Gordurinha… Alguns
pesquisadores como Átila Augusto de Almeida, José Alves Sobrinho, Ariano
Suassuna, botam galhos de urtiga no suposto erro cometido por quem teria
obrigação de não errar, já que o matuto erra por desconhecer a prosódia. É um
posicionamento que eu respeito, mas sempre lembro, Mestres como Manoel Bandeira
e José Lins do Rego, que prefaciaram “Brasil Cabôco” de Zé da Luz, colocaram ouro sobre
azul e foram largos de encontros exaltando nosso maior poeta matuto. É como
diria o filósofo cearense Falcão, em um de seus arroubos
brego-existencialistas: “Na
vida existem coisas boas e coisas ruins, sem falar nas mais ou menos”.
PC
– Quando e porque você sentiu a necessidade de acrescentar o CD ao livro?
No
rastro do “Paisagem
de Interior”,
passei a defender minha poesia a golpes de declamações pelos palcos, salas e
salões. A força declamatória, a inflexão e a teatralidade impostas no palco,
fizeram os ouvintes sair dali, pedindo voz nas folhinhas publicadas. Passaram a
cobrar o registro de um Quirino-falante no pires de um CD. Comecei a atendê-los
no livro “Prosa
Morena”
e, no ano passado – 2004, foi lançado o CD duplo “Paisagem de Interior”. Foi exigência do público e vem
livro e CD novo por aí.
PC
– Qual o próximo passo. O DVD?
Logo
após o livro “Prosa
Morena”
e o respectivo CD, jogaram baldes de “e o DVD, quando é que sai?”. Deverá sair, mas será um projeto,
digamos, laborioso. Não será a gravação de um espetáculo, terá um molho
especial. Ancorado novamente na muleta artística e cultural do meu cumpade e
entrevistador Paulo Carvalho, já tocamos o sino para produtores de vídeo de São
Paulo e a coisa está se encaminhando para captação de recursos.
PC – Como é que você explica o fato de fazer sucesso com poesia matuta no contexto adverso?
Em
outros outroras, as elites, colonizadas e provincianas valorizavam muito o
dizer e o estilo importado. Tudo o que fosse das Oropa, principalmente da
França, era copiado. Hoje, este ranço ainda persiste, com relação aos States –
os fast
food
da vida. De uns dezembros pra cá, porém, as pessoas estão se dando conta de que
aquele referencial de excelência do importado, não merece lugar de tanto
destaque em detrimento de nossas tradições.
No
Nordeste, as origens remetem ao desbravamento, ao tome enxada no chão, a
criação do gado, a luta do cabôco para vencer barreiras que vão de seca à fome,
passando por exploração da mão de obra, extermínio indígena e escravidão. Esta
mescla antropológica originou nossa riquíssima cultura popular. Aos poucos
pouquinhos o povo está apreendendo a valorizá-la.Ainda há muito preconceito,
mas hoje meu cumpade, de entranhas lavadas, nossos valores estão sendo puxados
de chão adentro, com mãos diurnas e noturnas. Tenho inclusive a convicção de
que nas duas últimas décadas, o estado de Pernambuco tem sido a locomotiva
deste resgate. Os movimentos culturais de todos os tipos e em todos os campos,
desenvolvidos em solo pernambucano destravaram de forma definitiva estes dois
torcicolos imbecilizantes, que obrigavam a olhar, um para o cristal importado,
o outro para o lixo nativo, esquecendo a nobreza do barro de que somos feitos.
PC
– Você tem uns textos que mexem com a política. Como você se define
politicamente? Sem fazer média é claro.
Sou
filho de Seu Quirino – um dos homens de vergonha do planeta – vítima da
ditadura implantada por Getúlio Vargas, depois da Revolução de 1935. Foi preso
na Casa de Detenção do Recife – onde hoje funciona a Casa da Cultura – celas nº
1 e nº 6 do raio sul e n° 13 do raio leste. “Hospedaram-no” de novembro de 1935
a abril de 1937, com direito a oito dias de sentença aferrolhado no breu de uma
solitária. Portanto, não tenho e nem devo ter, nenhuma simpatia por
reservistas, filhos, filhotes ou netos de ditaduras. Sem fazermediafalando, me
considero um libertário, um radical da liberdade.
Com
relação a uma certa “classe” política, a da politicagem, que inventou e
patenteou o acento circunflexo da palavra cocô, fico com um pé atrás e o outro
também. Boto olho de tejo no costumeiro deles e prefiro destilar veneno a dar o
meu humilde apoio a quem quer que seja dessa laia. É como diria Millôr
Fernandes: “Esses políticos todos andam tão ocupados em salvar o país que nem
têm tempo de serem honestos”. Evidentemente, não posso generalizar, têm as
exceções e boamente falando tenho até amigos que militam nas artes políticas
dando provas de que são dignos deste nome. O que questiono com meus dizeres, é
o fato de assistirmos de tempos longínquos ao já, já, indagorinha, a um
verdadeiro festival gastronômico: porções cavalares de ladroagem explícita e
implícita ao molho de cara-de-pau, temperado com uma boa farofa de
irresponsabilidade e quilos de oportunismo picado. Se todos roubam, e se todos
tiram e levam o leite da vaca, que pelo menos alimentem a Mimosa. Não sejam tão
incompetentes a ponto de roubar o leite e matar a coitadinha.
PC
– Qual a reação dos políticos diante da figura emblemática que você constrói
deles mesmos, a exemplo do “Comício de Beco Estreito”?
Tenho
relacionamento pessoal com políticos de várias bandeiras e calibres, lá fora e
aqui em Itabaiana. Como poeta e metedista de pau, fico barba a barba com eles e
digo tudo que está escrito. Eles até acham engraçado. Entreguei pessoalmente a
um prefeito daqui da região, o poema: “Sempre foi meu desejo comer o cú
desse povo”
do livro “Agruras
da Lata D`água”.
Ele riu muito e, no seu governo, foi fundo e no fundo do seu pobre eleitorado.
Apesar do lado fescenino, com um pé na safadagem, são temas que pedem reflexão
e mantêm-se sempre atuais. Basta dizer que “Comício de Beco Estreito” é do ano 2000 e parece que foi
feito ontem. Tenho também alguns textos em prosa com críticas à classe. Um
deles é uma mensagem de fim de ano que fiz em Dezembro de 2001 para o jornal
Itabaiana-Hoje, com o título de “Vou votar no garotinho”. É atualíssimo. A princípio alguns
menos atentos ao sarcasmo, pensaram que eu estava fazendo apologia ao santo
homem, evangelizador e eterno presidenciável que o Rio de Janeiro tem a ventura
de possuir em seus quadros políticos.
PC
– Como anda a sua agenda? Qual o seu público alvo?
Graças
a Deus, a agenda está gordinha e boa parte dela é com apresentações para
empresas. São atuações objetivas e não nos ocupam muito com produção, mídia e
tudo o mais. Reconheço entretanto, que precisamos de mais recitais abertos.
Quanto ao público, não tenho, digamos, um ponto de convergência fixo. Na
feitura dos poemas, mentalizo as pessoas de raízes interioranas, que vivem
ausentes do interior. São as que mais se emocionam com minha poesia.
Misturadamente falando, diria que meu público vai do piloto de supersônico a
vendedor de brasa do inferno, passando por magistrado, roceiro, estivador,
motorista, intelectual de bancada, padre, freira, versejador de caderneta,
rapariga, taxista, doutor de pequeno e grande calado, idoso, criancinha… e que
vai do Oiapoque a Caixa-Prego.
PC
– No ambiente universitário existem várias teses sobre a sua obra –
monografias, e teses de mestrado – Isto ajuda ou afasta sua poesia da chamada
poesia popular?
Quando
vi o título de tese de mestrado em lingüística: “Uma Análise Léxico-Semântica dos
Falares Regionais do Sertão, Referendados Pelo Fazer Poético de Jessier Quirino
e sua obra: Agruras da Lata D´água” , confesso que me assustei. Achei
que era muito ferrolho para meu portão de vara. Racionalizando: me envaideço
por um lado, pelo reconhecimento e enobrecimento do trabalho. Por outro lado,
me impõe um navio de responsabilidade, com relação à chamada cultura
tradicional do povo que é coisa pra ser levada a sério. Isto me obriga a
produzir um trabalho mais criterioso e aprofundado. Essa preocupação em não
macular o tradicional, atrapalha um pouco a determinação de manter aquela aura
banda-voou, do moleque de rua e do sem compromisso, que sempre gostei de fazer.
Outro lado importante e de igual responsabilidade é que minha poesia, além das
teses acadêmicas, está também nas salas de aula de escolas e faculdades, e já
foi tema de vestibular por duas vezes. Fui homenageado recentemente pelo
Colégio Atual, do Recife, e vi crianças da 5ª a 8ª séries, num espetáculo
fantasticamente bem produzido, declamarem minhas poesias, com alma e paixão.
Chorei feito menino queimado.
PC
– Quais foram seus mestres? Aqueles que serviram de estímulo para construção da
sua obra?
Tenho
influências poéticas variadas. No início me influenciavam muito a poesia matuta
de Zé da Luz, Catulo, Zé Laurentino e o cantar dos Mestres repentistas. Aprendi
ali a admirar o lirismo, o humor e a nordestinidade. Hoje, com uma poesia mais
rebuscada, bebo um pouco na fonte de muitos: no cunho social de Patativa, no
lirismo matuto de Renato Caldas, no surrealismo de Zé Limeira, na graça de
Chico Pedrosa, nas imagens de Ascenso Ferreira, no neologismo de Guimarães Rosa
e José Cândido de Carvalho, na desconstrução de Manoel de Barros, na
brasilidade e originalidade de Raul Bopp, nas pesquisas dos folcloristas, além
de me debruçar no vocabulário popular rico e pitoresco do Nordeste. Para os
causos de mato adentro, ando de escancha-perna sobre as obras duns cabras bons,
que, por falta de espaço, não dá pra citá-los. Outros que me influenciam são os
papas da MPB com seus voejos poéticos que sempre nos dão inspiração.
PC
– Hoje você já fez escola. Existem declamadores que seguem seu estilo e
declamam suas poesias. Existem também aqueles que não lhe dão o crédito de
autor, e o pior a pirataria desenfreada dos seus CDs e das suas poesias. Como
você está lidando com isso?
A
partir de um certo estágio, existe a tendência do artista passar a ser encarado
como um produto e como tal, uns podem gostar outros não. Uns dão o crédito,
outros não e a gente fica refém desse rótulo. Aos que me aplaudem dou o meu
mais bem apanhado capim-mimoso. Aos que não gostam, paciência… É um sagrado
direito deles. Sobre a pirataria – aquela que comercializa – virou instituição
nacional e mundial. Soube, de fresca data, que estão comercializando vídeos com
recitais nossos gravados às escondidas. Tenho tido problemas sérios nessa área,
e a Editora Bagaço está tomando medidas legais para pôr, se não uma finalmência
na questão, pelo menos um “tenha cuidado seu urubuzeiro safado!”
PC
– A violência contra os trabalhadores rurais, a luta pela reforma agrária no
Brasil é um fato que chama a atenção do mundo inteiro. Você não gosta de
abordar estes temas no seu trabalho, ou não quer se comprometer?
Com
meu olhar de poeta, humildemente me curvo à magia de versos como os de Vicente
Gonçalves – discípulo de Patativa do Assaré – que disse: “…Pensando na lei fundiária, Deus
fez a reforma agrária, no casco da tartaruga”. A partir daí fico com um certo
cuidado para não fazer remedo daquilo que os Mestres fazem tão bem. No meu
livro “Paisagem
de Interior”
publiquei o poema “Entendimento do Brasil” que pergunta o porque da briga pro
mode terra. Ou seja, sempre tive a consciência de que, ao abordar na minha
poesia, mesmo que de forma lírica ou irreverente, a vida do matuto e seu
sofrimento, o atraso e o abandono do povo pelos políticos, e a luta para se
manter vivo, eu, além de estar fazendo poesia, também estou fazendo política.
Portanto, minha consciência está tranqüila. Estou, com olhos em alvo, fazendo a
minha parte. De lança erguida e propósito fincado, não faço, em nenhuma
hipótese, e isto para não me contagiar com sem-vergonhice infecciosa, é
politicagem, é a tal da política partidária.
Quanto
à reforma agrária, e a violência no campo, tenho convicção de que sempre
existiu em todos os governos, politicagem e desvio de verbas demais e espírito
público, competência e vontade política de menos. Sob o enfoque político e
principalmente ideológico, fico fora feito olho de caranguejo. Na casca do
Mestre Patativa, no entanto, posso dar arrimo poético enquanto causa social,
agora dar munição a politiqueiros, pré-vereadores e aproveitadores de plantão,
aí meu cumpade não dá pra Biu não.
Agora
uma fala de forma interrogativa: Nesse Brasilzão de meu Deus, todas as cidades
– da grandona a mais ou menos – andam com credo e cruz pela boca, com o tei-bei
engatilhado contra a cabeça. É tráfico de droga, é assalto, é seqüestro, é pei-bufo
estampado nos noticiários e a criminalidade crescendo. Milhares de assassinatos
por ano: dez Iraques. Polícia destreinada, mal paga e o crime ali:
organizadíssimo. A população – 90% da classe trabalhadora – cheia de “ai
Jesus!” entregue à própria sorte, tendo como única saída, rezar. No entanto,
nenhum partido político, nenhum sindicato, Federação ou movimento social, pensa
em fundar o MSP – Movimento dos Sem Polícia. Será que é porque não existem
verbas federais previstas para irrigar os cofres de uma entidade deste tipo?
PC-
Qual a sua opinião a respeito da transposição do Rio São Francisco?
Sou
contra. Principalmente porque dá pra enxergar a gengiva do Trem da Alegria,
cobrativa de passagem. Lá dentro, no sopro do ar-condicionado, tomando um
uísquezinho com gelo: empreiteiros, empresários do agro-negócio, fornecedores,
batedores de carteira federal, estadual e municipal… e a locomotiva, movida a
dinheiro do povo. Povo, meu cumpade, que tem tudo pra sair dessa história com a
mesma seca de sempre, picando a mula e dando corda aos sapatos. Por outro lado,
mexer com água e terra dá lama e o nariz dessa classe merdívora, não sente
cheiro nem de lama nem de cocô. Neste país, felaputisticamente falando, são
feitos banquetes memoráveis para se discutir a fome endêmica do nosso povo e
não é por aí. Se fosse um projeto essencialmente técnico, que não é o caso, era
outra história. Temos abaixo dos pés um dos maiores aqüíferos do mundo, que,
pelo que me consta, não há um único projeto de utilização dessa reserva natural.
Acho que, por sermos uma nação rica em pobres, os nossos iluminados
governantes, ao invés de gastarem fortunas com obras desnaturadas e referendo
para a gente não atirar neles e ainda ofuscar CPIs, deveriam investir em
pesquisas, educação, educação e educação, para, no futuro esticado, nossos
netos saberem ler o código de barras com o preço de cada um e terem vidas
melhores.
* * *
Obra
completa - Edições Bagaço.
Paisagem
de Interior 1996
Agruas da Lata D`água 1998
Chapéu Mau e Lobinho Vermelho (infantil) 1999
Prosa Morena livro e CD 2001
Muidinha (infantil) 2001
Política de Pé de Muro (folclóre político popular) 2002
CDs Paisagem de Interior I e Paisagem de Interior II 2004
Bandeira Nordestina (livro e CD) 2006
Berro Novo (livro e CD) 2009
Agruas da Lata D`água 1998
Chapéu Mau e Lobinho Vermelho (infantil) 1999
Prosa Morena livro e CD 2001
Muidinha (infantil) 2001
Política de Pé de Muro (folclóre político popular) 2002
CDs Paisagem de Interior I e Paisagem de Interior II 2004
Bandeira Nordestina (livro e CD) 2006
Berro Novo (livro e CD) 2009

