Luiz Lua Alegria

Com a sanfona no peito
Em programas de auditório.
Época de ouro do rádio,
Como músico provisório.
Valsas, tangos e marchinhas,
Mas lideranças mesquinhas
Não lhe deixavam cantar.
Não davam vez ao matuto,
Mas o moço foi astuto,
Arranjou jeito de cantar.
Buscou mudar sua sina,
Enfrentou o sacrifício,
Tocou sanfona no mangue
Era o baixo meretrício.
Foi por lá, em certo instante,
Que uma turma de estudante
Pediu-lhe, em nome da sorte,
Para lembrar sua terra:
Toque um som do pé de serra,
Do nosso torrão do norte!
O cordel de uns tempos prá cá vem mudando de cara, agora tem jeito de livro, daqueles que você coloca em pé e ele fica. Não dá para pendurar no cordão como nas suas origens. A técnica de construção dos versos no entanto continua a mesma, respeitando métrica e rima da modalidade, isto prova que na arte pode-se inovar sem perder autenticidade.
Luiz Lua Alegria, cordel
ilustrado de Paulo Matricó contando e cantando a saga de Luiz Gonzaga é uma
contribuição de peso neste ano dedicado ao Rei do Baião merecedor de todas as
homenagens que lhe são prestadas por artistas das mais diversas áreas.
Transcrevo aqui os
escritos do poeta Jessier Quirino na orelha do livro que fala com muita propriedade
deste trabalho do cantor e cordelista Tabirense.
“Entre os
repentistas sertanejos, o baião é uma breve introdução musical, executada antes
e durante o desafio dos cantadores. Em meados dos anos 40 chega Luiz Gonzaga e
acrescenta um verbete à palavra.
Aqui, de forma bem cuidada, o poeta e músico Paulo
Matricó (que também canta o Nordeste), narra a história do Mestre, conforme as
regras cordelescas que exigem métodos e cronologia.
De verdade verdadíssima o Mestre Lua é bem dizer um
galo com sintomas de Luiz.
Galo sanguíneo, valente; galo doido, alegrador; galo
arrastador de asas; galo bom, despertador.
...E Quando o baião chegou o bolero baixou a crista.
Viva a Luiz!”
Jessier Quirino
Paulo Matricó me confidenciou que tem planos no futuro
para complementar a obra, vamos aguardar.